Ingrediente é amplamente usado como alternativa ao açúcar, mas é importante diferenciar a planta dos glicosídeos de esteviol presentes em produtos e adoçantes.

A stevia se tornou uma das alternativas mais conhecidas ao açúcar, mas existe uma diferença importante entre a planta Stevia rebaudiana e os glicosídeos de esteviol utilizados como edulcorantes em alimentos e adoçantes.
Entender essa diferença ajuda a interpretar melhor os rótulos e evita dois extremos comuns: tratar qualquer ingrediente derivado de stevia como uma solução milagrosa ou, no sentido oposto, concluir que todo adoçante funciona da mesma maneira.
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O que é stevia?
Stevia rebaudiana Bertoni é uma planta cujas folhas contêm compostos de sabor intensamente doce. Entre esses compostos estão diferentes glicosídeos de esteviol.
Na indústria de alimentos, esses compostos podem ser extraídos, purificados ou produzidos por processos autorizados e utilizados como edulcorantes — substâncias empregadas para conferir sabor doce.
Portanto, quando um rótulo informa “glicosídeos de esteviol”, ele não está necessariamente falando de folha de stevia moída, mas de compostos específicos usados como adoçantes.
Como a Anvisa enquadra os glicosídeos de esteviol?
A Anvisa inclui os glicosídeos de esteviol entre os edulcorantes utilizados em alimentos e estabelece regras para suas condições de uso e rotulagem. Documentos técnicos da Agência listam diferentes formas, como glicosídeos de esteviol de Stevia rebaudiana, de fermentação, produzidos enzimaticamente e glicosilados.
Nos alimentos formulados com edulcorantes, a lista de ingredientes deve identificar esses aditivos conforme as regras de rotulagem. Isso é uma boa razão para não escolher um produto apenas pela palavra “natural” na frente da embalagem: a lista de ingredientes é a informação mais objetiva para saber o que ele contém.
Glicosídeos de esteviol são açúcar?
Não. Eles exercem função de edulcorante, ou seja, fornecem sabor doce sem serem sacarose, a forma de açúcar de mesa. Por terem poder adoçante intenso, normalmente são usados em quantidades muito menores do que o açúcar comum.
Isso não significa que qualquer alimento adoçado com stevia seja automaticamente uma escolha nutricionalmente melhor. O alimento pode conter outros ingredientes, calorias, sódio, gordura ou outros açúcares. Por isso, a análise deve considerar o produto completo.
Existe um limite de ingestão considerado seguro?
O Comitê Conjunto FAO/OMS de Especialistas em Aditivos Alimentares (JECFA) estabelece uma ingestão diária aceitável de 0 a 4 mg por kg de peso corporal por dia, expressa como esteviol, para glicosídeos de esteviol. A avaliação publicada no banco de dados do JECFA em 2026 manteve esse valor.
A ingestão diária aceitável é um parâmetro toxicológico utilizado por autoridades para avaliação de segurança. Ela não é uma meta de consumo nem significa que uma pessoa deva calcular doses de adoçante sem considerar as instruções do produto.
Se é aprovado, por que a OMS faz ressalvas sobre adoçantes?
Esse ponto costuma gerar confusão porque são duas perguntas diferentes.
O JECFA avalia a segurança de aditivos e estabelece parâmetros como a ingestão diária aceitável. Já a diretriz da OMS sobre adoçantes sem açúcar avalia se o uso desses adoçantes é uma boa estratégia de longo prazo para controle de peso e redução do risco de doenças crônicas.
Em 2023, a OMS sugeriu que adoçantes sem açúcar, incluindo stevia e derivados, não sejam usados como estratégia para controle de peso ou redução do risco de doenças crônicas. A recomendação é condicional e a própria OMS esclarece que ela não substitui as avaliações toxicológicas de segurança feitas pelo JECFA ou outras autoridades.
Em outras palavras: uma substância poder ser utilizada dentro de limites de segurança não significa que ela deva ser apresentada como tratamento, como ferramenta de emagrecimento ou como garantia de saúde.
Então faz sentido usar stevia?
A resposta depende do contexto e da finalidade. Para algumas pessoas, um adoçante pode ser uma forma prática de reduzir a quantidade de açúcar adicionada em uma bebida ou preparação. Ao mesmo tempo, uma estratégia alimentar de longo prazo pode incluir a adaptação gradual do paladar a sabores menos doces.
O ponto central é evitar promessas exageradas. Um adoçante é um ingrediente dentro de uma alimentação inteira — não um tratamento para doenças e não um substituto de uma dieta equilibrada.
Como escolher um adoçante com mais informação
- Leia a lista de ingredientes. Veja quais edulcorantes e outros componentes aparecem no produto.
- Observe a tabela nutricional. Compare valor energético, açúcares totais e açúcares adicionados quando aplicável.
- Siga a quantidade indicada pelo fabricante. Produtos de alta intensidade adoçante podem exigir quantidades muito pequenas.
- Desconfie de promessas de cura ou emagrecimento. Alimentos e adoçantes não devem ser apresentados como medicamentos.
- Considere seu padrão alimentar. Reduzir a preferência por sabores excessivamente doces pode ser útil ao longo do tempo.
Stevia, açúcar e Nonsugar
Se o seu objetivo é entender as alternativas disponíveis para adoçar café, chá ou receitas, compare produtos pelo rótulo e pela forma de uso. O Nonsugar é uma das opções disponíveis em nossa loja e possui sua própria composição e orientação de uso.
Veja a apresentação do Nonsugar, ingredientes declarados, rendimento e instruções de uso. A decisão deve considerar suas preferências e, quando necessário, orientação profissional.
Leia também
- Quanto açúcar por dia? Entenda a recomendação da OMS
- Como identificar açúcares adicionados no rótulo dos alimentos
Fontes consultadas
- JECFA/OMS — avaliação de glicosídeos de esteviol
- OMS — Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline
- Anvisa — Uso de Edulcorantes em Alimentos
- Anvisa — Regularização de alimentos e adoçantes
Conteúdo educativo. Não substitui orientação individual de profissional de saúde.

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