Adoçantes podem afetar o metabolismo por gerações? O que um estudo em camundongos mostrou

Um estudo publicado em 2026 observou alterações metabólicas, de microbiota intestinal e de expressão gênica em camundongos expostos a sucralose ou stevia. Parte dessas alterações apareceu também em gerações seguintes — mas isso não significa que o mesmo aconteça em seres humanos.

Colher com cristais brancos de adoçante ou açúcar, imagem ilustrativa
Estudo em camundongos avaliou efeitos de sucralose e stevia ao longo de gerações • Foto: Immo Wegmann/Unsplash Crédito
Compartilhe:

O trabalho, publicado na revista Frontiers in Nutrition, ganhou destaque em veículos como a CNN Brasil por investigar uma pergunta pouco explorada: efeitos do consumo de adoçantes poderiam persistir nos descendentes?

Esse tipo de pesquisa é importante, mas também exige cuidado na interpretação. O estudo foi feito em camundongos, com um número pequeno de animais, e não demonstra que adoçantes causem os mesmos efeitos em pessoas.

Como o estudo foi feito

Os pesquisadores trabalharam com 47 camundongos machos e fêmeas, divididos em grupos que receberam água, sucralose ou stevia. Depois, os animais foram reproduzidos por duas gerações. Os descendentes receberam água, permitindo observar se determinadas alterações apareciam mesmo sem exposição direta continuada.

A equipe avaliou tolerância à glicose, composição da microbiota fecal, ácidos graxos de cadeia curta e expressão de genes relacionados a inflamação, barreira intestinal e metabolismo.

O que foi observado com a sucralose

No grupo exposto à sucralose, os pesquisadores relataram alterações leves na resposta glicêmica em descendentes machos das gerações F1 e F2. Também foram observadas mudanças mais persistentes na microbiota, em concentrações de ácidos graxos de cadeia curta e na expressão de alguns genes.

Segundo o artigo, as alterações associadas à sucralose foram, no conjunto, mais intensas e duradouras do que as observadas no grupo stevia.

E com a stevia?

No grupo stevia também ocorreram alterações em alguns marcadores, principalmente na primeira geração de descendentes. O próprio artigo conclui que os efeitos observados com stevia foram predominantemente restritos à F1, enquanto algumas alterações da sucralose persistiram por mais gerações.

É importante distinguir esse achado experimental de uma conclusão sobre segurança em humanos. O estudo não foi desenhado para determinar se uma pessoa que usa stevia ou sucralose dentro das condições autorizadas terá os mesmos efeitos.

Por que resultados em camundongos não podem ser transferidos diretamente para pessoas?

Modelos animais são utilizados para investigar mecanismos biológicos, mas espécies diferentes metabolizam substâncias de formas diferentes. Dose, tempo de exposição, microbioma, genética e condições experimentais também podem mudar o resultado.

Por isso, a conclusão correta não é “adoçantes afetam gerações futuras em humanos”. A conclusão é que o estudo encontrou sinais que justificam novas pesquisas, inclusive estudos humanos bem controlados e acompanhamento de longo prazo.

Isso muda os limites de segurança atuais?

Não automaticamente. Avaliação toxicológica e recomendações de saúde pública respondem a perguntas diferentes.

O JECFA mantém para a sucralose uma ingestão diária aceitável de 0 a 15 mg/kg de peso corporal por dia. Para glicosídeos de esteviol, a avaliação de 2026 confirmou a ingestão diária aceitável de 0 a 4 mg/kg de peso corporal por dia, expressa como esteviol.

Esses valores são parâmetros toxicológicos de segurança, não metas de consumo.

E a orientação da OMS sobre adoçantes?

Em 2023, a OMS recomendou que adoçantes sem açúcar não sejam usados como estratégia de longo prazo para controle de peso ou redução do risco de doenças crônicas. A recomendação é condicional e, segundo a própria OMS, não substitui avaliações toxicológicas de segurança feitas pelo JECFA e por outras autoridades.

Ou seja: “não recomendar como estratégia de emagrecimento” e “considerar um aditivo seguro dentro de determinados limites” são afirmações sobre questões diferentes.

O que fazer na prática?

  • Evite conclusões alarmistas a partir de um único estudo animal.
  • Leia o rótulo para saber quais edulcorantes estão presentes.
  • Siga as instruções de uso do produto.
  • Não trate adoçantes como solução de emagrecimento ou cura.
  • Considere reduzir gradualmente a preferência por sabores muito doces.
Informação antes da escolha

O Nonsugar é uma das alternativas disponíveis em nossa loja. Antes de escolher qualquer adoçante, confira composição, instruções de uso e o conjunto da sua alimentação.

Ver informações do Nonsugar →

Fontes consultadas

Conteúdo educativo. Estudos em animais não comprovam efeitos equivalentes em humanos.

Rolar para cima